ESMÊ

     Em 2016, comemoramos o centenário de nascimento de Esmeraldino Salles, importante músico e compositor nascido na capital paulista. Na década de 60, época de grande efervescência da música brasileira, Esmê, como era carinhosamente chamado, foi líder do Regional da Rádio Tupi. Nessa época, a integração entre os músicos de choro e os cantores era muito grande. Assim como o Regional do Canhoto no Rio de Janeiro, o Regional do Esmeraldino, em São Paulo, costumava acompanhar importantes intérpretes da música brasileira, como Elizeth Cardoso e Silvio Caldas.

           Nesse contexto, o Regional do Esmeraldino já se destacava por adotar, muitas vezes, formações pouco convencionais no universo do choro, contando com instrumentos como contrabaixo e bateria, pouco comuns nesse tipo de conjunto. Composto por grandes músicos, como Osvaldo Colagrande e Orlando Silveira, o Regional do Esmeraldino contribuiu para a modernização e a diversificação do universo do choro.

     Essa tendência à liberdade criativa e à assimilação de diferentes referências também se verifica em sua atuação como compositor. Íntimo da tradição do choro, da herança de Pixinguinha e contemporâneo de Jacob do Bandolim, Esmeraldino foi um dos primeiros a compor choros com informações harmônicas jazzísticas que, naquela época, chegavam através do rádio. Com harmonias sofisticadas e criatividade rítmica, Esmeraldino representa até hoje importante referência a artistas que são considerados pilares do choro paulistano, como Zé Barbeiro, Izaías Bueno de Almeida e Laércio de Freitas.

           Contudo, apesar de ser largamente conhe-cido entre músicos de choro e tocado nas mais variadas rodas, o legado de Esmeraldino Salles permanece pouquíssimo conhecido pelo grande público. Dessa forma, entendemos que o presente projeto configura-se como importante contribuição para o resgate e a difusão dessa obra de notada relevância.